Quinta à noite

A moda de filmar tudo

Está a circular um vídeo onde um indivíduo agride uma mulher grávida.


Apesar de, segundo as notícias, ser graças ao vídeo que se "fez" a denúncia de violência doméstica  (parece que a vítima não disse o que tinha acontecido quando entrou no hospital!); muita gente  (incluindo eu) pergunta-se porque o indivíduo não largou o telemóvel e foi socorrer a senhora... 


Este episódio fez-me lembrar outro que eu presenciei.


Tinha uns 14 anos e estava com a minha mae a passar no jardim em frente aos correios aqui do concelho. Estava em frente à instituição um grupo de pessoas em roda. 


Fomos curiosas e espreitamos: no centro do grupo um indivíduo batia na mulher. À volta, um grupo, maioritariamente masculino, assistia ao espectáculo. Ninguém fez nada. 


Lembrei-me de atravessar a barreira de espectadores. Estava cheia de vontade de bater no homem. 


A minha mãe agarrou-me pelo braço e quando eu lhe perguntei se não íamos fazer nada ela respondeu: "Não. Não é nada connosco!"


Verdade. Há 18 anos a violência doméstica era desvalorizada; caricaturizada... 


Do outro lado do jardim está o posto da GNR, mas acredito que ninguém viu, mesmo que tivessem visto era um assunto entre marido e mulher. 


Hoje em dia, em muitos sítios, entre marido e mulher ainda não se mete a colher! 


As pessoas falam, comentam, revoltam-se, mas fazer alguma coisa? Não, isso não! Afinal se ela ou ele  (vítimas ) não fazem nada porque vão fazer os outros? 


E assim continua tudo igual!!! 😠


 

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