Quinta à noite

Frágil

Eu resisto.


Mas dói. 


Só eu sei como dói. 


Não julgues!


A ferida que tu vez desse lado,


Atravessou-me,


E deste lado é muito maior!


Aquilo que te parece colorido,


Há muito que lhe perdi a cor!


A brisa que te envolve,


Deste lado é um vendaval ruidoso!


O silêncio que tanto te admira, 


Em mim é demasiado barulhento!


O sorriso que me vês,


Emprestaram-mo!


Esconde lágrimas inconsoláveis


Que nunca se notaram. 


Oh, mas eu sigo. 


Eu resisto!


Mas não julgues.


Porque dói...


Só eu sei onde dói...


 

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