Em Portugal trabalha-se por amor.
Os bombeiros trabalham por amor, os polícias trabalham por amor e o pessoal de saúde trabalham por amor (à farda); os professores trabalham por amor. (E nem falo dos operários fabris que trabalham por amor à sobrevivência!)
Quem quer trabalhar por dinheiro emigra, ou com alguma sorte consegue qualquer coisa no privado, mas depressa a camisola fica apertada... e fica só o amor ligeiramente mais bem remunerado!
O meu sonho era que os políticos deixassem de trabalhar por amor à política e aos amigos e que trabalhassem (mesmo que sem amor) pelo país.
Talvez devessemos apostar numa maior representação parlamentar dos distritos do interior. Talvez os deputados devessem perder menos tempo com a propriedade de impresas privadas ou a insultar e começar a legislar doutra maneira.
O meu sonho não é ve-los a sujar-se depois dos fogos passarem ou vê-los a gritar insultos entre eles. Eu sonho ouvi-los gritar que os bombeiros vão receber o dobro; que a preocupação deles não é a redução da quantidade de imigrantes que entram no país, mas sim a redução de portugueses que saiem do país e o aumento de agentes da lei para que todos se sintam protegidos (e já agora um aumento digno nos ordenados deles). O meu sonho é ver os hospitais públicos com pessoal suficiente e satisfeitos; ver as escolas públicas com condições para proporcionar a qualidade que tiveram noutros tempos!
Dizem que os portugueses são de afetos... Mas poderiamos experimentar trabalhar com afeto melhor remunerado!